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Música pra quê?
Vlad Rocha
Olá, leitor! Estou muito feliz por trazer a você esta edição mais do que especial que comemora os 50 anos de música do nosso querido Duda Neves. Temos na música vários exemplos de profissionais que chegaram a esta marca, fazendo da sua vida uma ferramenta da mais pura expressão da alma, tornando-se uma fonte de inspiração para os ouvidos e corações humanos que anseiam por se alimentar dessa arte. Isso me fez pensar sobre qual é a função do músico. Por que uma pessoa escuta música? Quando alguém coloca uma música para tocar está buscando por sensações. Está buscando por algo que possa estar faltando naquele momento, algo para completá-la. Não significa que neste momento a pessoa se sinta vazia ou se sinta mal. Quero dizer que a música pode ser a responsável por oferecer uma nova sensação ou potencializar o que a pessoa está sentindo no momento. Mesmo que seja “música de elevador” ou em “rádio de supermercado”, a música tem o poder de alterar o ambiente, de alterar o estado de ânimo das pessoas. Quem nunca teve vontade de abraçar o mundo ao escutar o último movimento da Nona Sinfonia de Beethoven (a parte do Ode à Alegria, com aquele coral emocionante). Isso só para dar um exemplo. Nossa responsabilidade enquanto músicos é pura e simplesmente a de dar inspiração a alguém. Oferecer aquilo que a pessoa procura para completá-la naquele instante. E para isso precisamos estar inspirados e conectados a algo maior (em termos de energia, seja qual for sua crença, seu ideal). Analisando sob esse aspecto, a música não é um fim e sim um meio. Um meio de inspirar as pessoas, um meio de melhorar a qualidade de vida, um meio de semear coisas.  Digo essas palavras pois tenho visto muita gente enxergando a música como algo distorcido, como uma ferramenta apenas para valorizar o próprio ego. E isso não tem nada a ver com desafiar seus limites, buscar sempre evoluir e tocar coisas cada vez mais complexas. Tem a ver com atitude, com a forma de encarar as coisas. É o “eu sou f*** porque consigo tocar coisas que outras pessoas não conseguem”. É o “isso é muito fácil para mim, não vou tocar, estou acima disso”. Aí sujeito toca todas as viradas possíveis em 400 bpm e não consegue gravar uma balada em andamento 80. Quando o “eu” vem com tudo na música, a chance de ela ser menos inspiradora e menos relevante é muito grande. O “eu” vale menos que o arranjo, vale menos que as notas. Imagine uma banda cheia de “eus”. Muito “eu” dificilmente se tornará “nós”. E a banda vai soar desconectada, vai soar vazia. E a chance de ela inspirar alguém é bem menor (a não ser que a pessoa esteja procurando se inspirar no vazio). Temos uma responsabilidade e uma função social muito importantes para ficarmos presos a questões do nosso ego. Vamos valorizar nossa capacidade de inspirar as pessoas, assim como Duda e muitos outros vêm fazendo há tempos. Vamos respeitar a música, buscando também deixar um pouco da nossa marca registrada — mas sem ego. E não precisamos seguir sempre aquele ditado “toque o que a música pede”. Muitas vezes ela pede muita coisa, então devemos buscar “o que a música aceita”. Assim podemos oferecer algo que a música “recomenda e assina embaixo”, com a sua assinatura no play. Boa leitura, e boas inspirações!
Matéria completa na Revista Modern Drummer 165/Agosto de 2016.
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